segunda-feira, janeiro 23, 2012

Cama compartilhada

A cama compartilhada é uma questão que me acompanha desde antes de minha bebê nascer. Por natureza eu já sou bastante indecisa, mas nesse assunto consigo ficar ainda mais dividida.
É fato que um bebê recém-nascido merece todo o colo que uma mãe pode dar, afinal, ele acabou de chegar nesse mundo estranho, confuso, gelado e tão grande que fica impossível dele não se sentir perdido no meio de tanta novidade. É aí que entra o colinho da mamãe, pra pôr tudo em ordem e fazer com que o bebê entenda que ele vai ficar bem nesse mundo, do mesmo jeito que estava quando morava dentro da barriga da mãe.
No meu caso eu pensei nisso quando minha lindona nasceu. Eu queria dar muito colo, muito afago, muito carinho, mas estava meio impossibilitada pelo resguardo doloroso da césarea. A difícil recuperação da césarea impediu, por exemplo, que eu dormisse com minha bebê do lado, porque eu não conseguia nem me virar de lado sem sentir dores horríveis. Pra amamentá-la eu precisava sempre de alguém que a pegasse no berço e a coloca-se no meu braço. Foram 3 meses de dores intensas na cirurgia.
Enquanto isso, minha filhinha aceitava sem maiores problemas dormir quietinha no berço.
Mas não pensem que era só colocar lá pra ela dormir, eu sempre ninava ela antes pra colocá-la já adormecida dentro do berço. Aqui no Japão as mães colocam os bebê ainda acordados na cama e eles dormem sozinhos. Acho até legal, porque pra uma mulher que trabalha fora, cuida da casa, de filho, não é fácil chegar e ainda ter que ninar um bebê. Mas por outro lado fico pensando que eu não vou ter outras oportunidades de ninar minha filha, e por mais cansativo que seja, eu sei que ela vai se lembrar de como eu me dedicava a ela até nas pequenas coisas.
Sendo assim, minha primeira conclusão é: Vale a pena ninar minha filha!

Agora vem outra questão, a cama compartilhada.
Como já contei ali em cima, eu meio que fiquei sem opção entre colocá-la pra dormir comigo, ou não. Por mais que quizesse, eu não podia ter ela na mesma cama que eu. Era bem difícil vê-la choramingando sem poder correr lá pra consolar, por isso, na hora de dormir eu enrolava ela bem enroladinha com uma manta bem quentinha de um jeito que ela nao conseguia mexer nem os braços nem a perna, depois eu a colocava pra dormir de ladinho em cima de uma travesseiro bem fofinho. Isso tudo depois de um banho bem morninho seguido de massagenzinha com hidratante.
Eu dou 2 banhos nela desde quando ela tinha uns 15 dias de vida. Ouvi mil e uma críticas, me chamavam de doida direto, mas louco é quem consegue dormir sem tomar banho.
No calorão que faz no Pará, nem eu que sou crescida consigo dormir sem tomar banho, mesmo com a central de ar ligada no turbo! ehehehe Hoje em dia que ela tá mais velha eu dou uns 10 banhos no dia ehehe Nunca ninguém morreu por tomar banho, e ela nunca ficou doente por isso. A própria pediatra me recomendou dar quantos banho eu achasse necessario.
...
Mas voltando ao assunto da cama, ela acordava de 3 em 3 horas, eu então levantava, dava de mamar e quando ela pegava no sono mamando eu colocava de volta no berço. Por vezes durante a noite ela ficava chorando, mas depois de um tempo eu fui percebendo que era uma espécie de sonho ou algo do tipo, porque ela só chorava, mas não acordava. Eu ia lá checava se tava tudo bem, mas não mexia com ela, e então em alguns segundos ela voltava a dormir pesado de novo. Já li que o maior problema é que nós pais atrapalhamos o sono das crianças, elas choramingam, falam ou coisa do tipo e a gente já vai lá, aí acorda pra dar água, chupeta, pra embrulhar, e isso vai se tornando um hábito e prejudicando a qualidade do sono do bebê. Pensando nisso eu optava por observar ela de longe até que as coisas estivessem calmas novamente.
Além do mais eu sempre pensei em acostumá-la a dormir no cantinho dela.



Eu sei que muita gente diz que não tem problema dormir junto com o bebê, já até li que nunca ninguém sofreu de problemas mentais por ter tido muito carinho dos pais, que é uma fase da criança que precisamos aproveitar, e eu respeito todas as opniões, mas acho que cada família deve fazer em primeiro lugar o que for melhor pro seu bebê, mas de acordo com o seu estilo de vida.
Aqui em casa, dormir junto com o bebê não dá certo. Que me perdoem as mães que dormem com o bebê  grudadinho nelas, mas comigo não funciona. Já me culpei muito por não ser fã de dormir com a Alissa do lado, mas agora já desencanei disso. Eu amo demais minha filha, a ponto de dar minha vida pra ela, e de fato eu dou. Dou todo meu tempo, todo meu fôlego, toda minha dedicação, tudo o de melhor que eu tenho eu dou pra ela, quando chega a noite, eu acho que mereço uma noite de sono tranquilo da maneira que eu acho mais confortável.
Minha coluna não aguenta dormir com um bebê mamando o tempo todo, agarrado em mim o tempo todo, juro que já tentei, mas eu acordo imprestável no outro dia cheia de dores no corpo.
Além do mais preciso dormir do lado do meu marido. Necessito sentir ele abraçado comigo, acordar de manhã, me virar e agarrar ele, beijar, cheirar. Ficamos o dia todo trabalhando em atividades diferentes, a noite é a única hora que temos pra nos curtir, ficarmos sozinhos. É um momento nosso que não dá pra viver se ela estiver na mesma cama ou no mesmo quarto que nós dois. Definitivamente eu não fico à vontade pra NADA se ela estiver no mesmo quarto que nós, entenda-se NADA como absolutamente NADA meeeeeismo, se é que me entendem... ehehe
Lembro dela dormindo do lado e aí não tem clima nem pra beijo na testa kkkkkk
Sendo assim, não é nem bom pra saúde do meu casamento, ter ela dormindo com a gente. Uma vez ou outra vá lá, mas todo o dia não dá!
Repito que isso é relativo e depende de cada família. Sendo assim a minha outra conclusão pro assunto foi: É bom pra todos que cada um durma no seu cantinho!

Nos 3 primeiros meses ela dormia no mesmo quarto que eu. Quando voltamos pro Japão ela teve um problema intestinal e passou mais ou menos um mês fazendo muito cocô, inclusive durante a noite. Nessa época eu fiz cama compartilhada, até pra ficar observando ela de pertinho durante a noite. A cama compartilhada era parecida com a da figura aí embaixo.





Desse jeito é bem legal, porque eles ainda são pequenos e não se mexem muito, então acaba cada um ficando no seu canto, mas bem pertinhos um do outro.  É fácil também pra não termos que levantar durante a noite, basta virar-se pro lado e lá está o bebê.

Mas depois ela ficou boa e completou 4 meses. Fizemos uma pequena festinha e ganhamos de presente uma babá eletrônica. Foi então a oportunidade que meu marido encontrou de me convencer a colocá-la pra dormir no próprio quarto. Foi muito difícil! Nos primeiros 3 dias eu mal conseguia dormir, queria o tempo todo ir olhar se ela tava bem lá no quarto. Bobagem minha, porque a babá eletronica reproduzia até a respiração dela, fora isso o quarto dela fica a menos de 2 metros do meu, é bem rápido de se chegar em caso de algum problema.
Mas quem disse que mãe gosta de praticidade, né?! ehehe
Mãe gosta é de sofrer pelo filho ehehe
E foi o que eu fiz, sofri um bocado até me acostumar com ela dormindo no próprio quarto. Mas então eu percebi que foi bom até pra qualidade do sono dela. Ela começava a choramingar, aqueles choramingos dormindo, mas quando eu começava a ouvir, ela já tava choramingando a um tempo, então quando eu levantava pra ir olhar ela, ela parava e voltava a dormir sozinha.
E assim seguimos com noite lindas e tranquilas aqui nessa casa.
Até que chegaram os dentes, o tempo do desmame, os vícios noturnos entre outros probleminhas no caminho, mas isso são coisas incomuns, porque no geral ela dorme bem no quarto dela.

Há uns dias ela pegou um virose e ficou molhinha por uns 3 dias. Então eu coloquei ela pra dormir comigo com medo de alguma coisa acontecer durante a noite e eu demorar a ouvir.
Pra quê?! Já dizia minha avó que o costume do caximbo é o que entorta a boca. Bastaram uma 2 noites dormindo comigo pra ela não dormir mais a noite toda no quarto dela.
Chora lá pelas 3 da manhã, e eu tenho que trazer pro meu quarto. Confesso que eu poderia colocá-la de volta na cama dela, mas moooooorro de preguiça ehehehe Então meu marido e eu improvisamos um colchão pra nós e ela dorme na nossa cama. pasmem!
Eu estou na esperança de isso ser só uma fase, do contrário...teremos duros caminhos pra cortar esse hábito.

...

Mas como eu disse, cada um segue a rotina que seu dia-a-dia impõe. Aqui em casa as coisas funcionam bem desse jeito, com rotina do sono, hora marcada pra dormir, cada um no  seu cantinho. Mas talvez pra outras mamães o melhor seja dormir com seu bebê. O importante mesmo é descobrir a melhor maneira de se adequar a novidade de ter um bebê em casa. Buscando sempre o meio termo, eu acredito que nem um coisa nem outra façam mal à saúde psicológica da criança.


Abraços.

Nenhum comentário:

Postar um comentário